segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Ter Certeza e Vivê-la!



Na última semana enderecei a carta ao meu filho Luan, hoje pretendo escrever aos meus amigos, em especial àqueles que questionam acerca do comportamento dos “evangélicos”, dos “crentes”, daqueles que muitas vezes se portam como “detentores da graça”. Vou dirigir minhas palavras à Poliana, ela é alguém com quem converso um bocado acerca de fé, Deus, Bíblia, cristianismo… Muitos de vocês tem uma porção de perguntas acerca da equivocada separação que nós “evangélicos” fazemos entre “crentes” e “não crentes”, outros perguntam sobre salvação, Trindade, criação do Universo, Bíblia Sagrada… Essa breve carta não irá de forma alguma responder tudo — até porque isso não é possível tudo —, mas talvez ao falar especificamente sobre uma dessas questões possa aquietar um pouco seus corações e dar-lhes mais motivos para acreditar no cristianismo apesar de muitos cristãos.
E vocês meus amados leitores que se põem como cristãos "evangélicos". Que essas palavras nos façam refletir sobre o que dizemos em nome de Deus e como vivemos a religião que pregamos. Desejo de verdade que as reflexões de hoje tragam inquietação aos seus corações. Vamos lá:
Olá, minha amiga Poliana! Como andam as coisas na mais bela cidade do mundo? Sei muito bem que você vai continuar dizendo que sou um péssimo patoense (ou Patinho, como diz o Vini — um garotinho aqui da nossa Igreja), mas pode acreditar, sinto saudades da minha terrinha. Bem, mas não escrevo para falar sobre Patos, gostaria de discutir um pouco mais sobre cristãos, cristianismo, fé e vida com Deus.
Você e alguns outros amigos já falaram da soberba muito comum aos “evangélicos”. — Ah! Por que todo “crente” tem mania de se dizer salvo? Ninguém pode ter certeza que o é. Bem, essa é uma das frases que escuto. Como lhe disse muitas vezes, o que define minha fé é a Bíblia, ela é Palavra de Deus (creio nisso com toda força da minha alma. Estou tão certo dessa verdade, como tenho convicção de que posso respirar nesse instante). A Escritura é que deve dar respostas aos nossos questionamentos. Então a questão é: É POSSÍVEL TER CERTEZA DE QUE VAI PRA O CÉU? A resposta de forma simples e de acordo com as palavras de Jesus (Leia Lucas 23.39-43; João 11.17-27; João 14.26) é: SIM! É de fato possível crer que Cristo reserva um lugar maravilhoso para todos aqueles que se dobrarem diante dEle, reconhecendo-O como único e suficiente Salvador e SENHOR de suas vidas (Leia também Efésio 2.1-10 e Romanos 6 e 8).
O grande problema não é dizer que tem certeza de que viverá na eternidade com Cristo, é andar aqui, nesse mundo corrompido, apodrecido e degradado moralmente, como um verdadeiro cidadão dos céus. O péssimo não é anunciar que é salvo; a grande mazela reside no fato de que é fundamental ser praticante e não meramente ouvinte ou propagador do evangelho (Leia Salmo 15; 2Co 5.17-21; Tiago 1.19-27 e 2.14-26). E muitas vezes os cristãos temos falhado nisso. É fácil dizer que Jesus é nosso Salvador. Nosso desafio é tê-Lo como SENHOR de nossas ações, pensamentos, desejos, palavras, enfim de nossa vida (1Coríntios 10.31, Romanos 12.1-2).
Gratidão Humilde. Esse deve ser o principal resultado de ter uma experiência de perdão com Cristo. Deixe-me explicar de forma bem objetiva. Entendo que sou pecador (Leia Romanos 3.10-23), que desagrado ao Deus que é Santo (Isaías 6.1-6) e que Ele tem um padrão de julgamento de acordo com Sua pureza. Sendo eu pecador, jamais conseguirei atingir os patamares divinos, porque tenho em mim uma natureza pecaminosa, e sempre pecarei (Veja Romanos 7.21-25). Então minha amiga, temos um enorme problema: ESTOU CONDENADO AO INFERNO. Mas Cristo veio, habitou entre nós, cheio de graça e de verdade e por meio da sua morte expiatória deu-me o privilégio de ser perdoado de todos os meus pecados (João 1). E o que isso tem com gratidão humilde? TUDO! Essa verdade é a chave do cristianismo e é uma de suas grandes fascinações, mas também se torna base de sua rejeição por parte de muitos. A Bíblia é a religião que nos humilha, nos reduz ao nada que somos e nos deixa no devido lugar!
Veja bem, se sou convicto de minha pecaminosidade e total incapacidade de atingir o padrão de Deus, se sei que era condenado ao inferno e Cristo me salvou, então isso deve gerar em mim um coração totalmente grato a Deus. Pessoas gratas geralmente são dispostas a ser bênção para vida dos outros e nunca para apontar o dedo acusador. Então, a Bíblia é a religião da gratidão que nos faz servos de Deus e uns dos outros (Atos 2.42-47).
É doloroso admitir, mas muitos “evangélicos” não entendem isso. Afinal de contas vivemos em tempos de exaltação do “eu”. Você é “o cara”! É bom!, É importante! Como viver uma fé que diz que devo me humilhar, rastejar aos pés de um Deus que nem vejo? Pois é… Eis o mal dos crentes… Temos sido pós-modernos, egoístas, ensimesmados. Por isso, muitas vezes agimos como os fariseus dos tempos de Cristo, apontamos o dedo para quem não se encaixa no padrão e deixamos de lado o PADRÃO, a Palavra! Nossa, somos fariseus pós-modernos!
Minha amiga, a Bíblia garante que é possível sim ter certeza que é filho de Deus, herdeiro das promessas de Cristo (Efésios 1, João 1.12), mas ela afirma de forma veemente que se dizer cristão está invariavelmente associado ao fazer, ser, agir… Diversos textos mostram que os que sabem que Cristo deu a vida por eles devem andar, viver, agir, pensar, amar como pessoas que vão morar no céu (Leia Efésios 5. Gálatas 5, 1João 5, ou ainda as maravilhosas palavras de Jesus em Mateus 5 a 7).
Poliana, adoraria que todos os meus amigos pudessem falar: Eu tenho plena convicção de que vou morar eternamente com Jesus. Estarei em êxtase de prazer quando um dos que amo disser que entende o poder de Cristo em sua vida. Mas minha emoção será inexplicável quando eu vir os que gosto vivendo como cidadãos dos céus (Romanos 12.1,2, 1Pe 2.4,5). O grande desejo de meu coração para você e todos os meus queridos amigos é que cada um possa amar a Cristo e viver para Ele com todas as forças de suas almas, tendo nEle sua fonte de alegria, confiança, prazer, paz e esperança!
Não sei se percebeu, mas procurei colocar o termo “evangélico” sempre entre aspas. Sabe, eu não gosto de ser chamado assim… Esse termo anda tão vulgarizado. Ser “gospel”, “evangélico” ta na moda. Prefiro ser chamado de cristão. É isso que quero ser, um seguidor de Cristo, alguém que é consciente de todas as suas limitações e pecaminosidade, mas que anda, vive, e pensa, tentando ser a cada dia mais próximo (ou menos distante) do padrão estabelecido pela Palavra de Deus. Sei que ao me virem buscando viver de fato como creio, meus amigos poderão ter mais alguns motivos para acreditar nas palavras que lhes falo.
Bem, tenho mania de falar muito, sempre foi assim… Então, antes que me torne enfadonho, vou indo… Que Deus cuide de você, do maridão e de sua pequenina...
Meus irmãos, espero que Deus possa nos fazer pensar sobre o testemunho que damos (Atos 1.8).
Um abraço afetuoso!

Pr. Ricardo “CACO” Pereira


Nota: texto orginal no Ortopraxia, o blog do Pastor Caco.


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