sexta-feira, 29 de agosto de 2008

O Outro Pródigo



Leia Lucas 15


Sempre que lemos a história do filho pródigo em Lucas 15.11-32, somos levados a ver a maldade do coração de um filho que abandona o lar após pedir uma herança que ainda não era sua por direito (pois o pai ainda estava vivo), que esbanjou, dissipou tudo e depois voltou humilhado e quebrantado para a casa paterna, sendo acolhido com amor. Mas hoje gostaria de lhe convidar a ver o outro pródigo. Olhe comigo para o legalista, para o fariseu e analise se muitas vezes não temos sido assim.

Ao ouvir que seu irmão voltara e que o pai fizera grande festa, dando-lhe um anel (restituindo assim o direito de filiação), aquele homem revoltou-se contra o pai, mostrando o íntimo do seu coração. Ele era um legalista, alguém que vive do exterior, do que pode ser visto, mas não faz isso com a motivação correta. Vejamos algumas coisas sobre esse tipo de gente:

  1. Serve a Deus por obrigação ritual e legal, não pela motivação correta do coração;
  2. Busca "recompensa" em troca das suas "boas atitudes". O personagem de nossa história bradou para o pai que lhe servira a vida toda e nunca recebera um cabrito como recompensa (29). Um exemplo claro em nossos dias é a tal história de dar o dízimo para receber a bênção; ou ir para o culto em busca da bênção, da cura, da libertação;
  3. São acusadores. São velozes e furiosos para apontar o dedo para o pecado alheio, e na medida que fazem isso, se auto proclamam santarrões (Lc 18.11,12);
  4. Criam seus próprios padrões, geralmente acrescentando (seja por interpretação, seja na elaboração de "leis complementares") coisas à Escritura, ou suprimindo aquilo que não lhes interessa.
  5. São conhecidos por na prática, serem aqueles do "faça o que eu digo, não faça o que eu faço".

Amados, a Escritura nos exorta a viver pela graça e praticarmos a lei do Senhor. Não devemos ser antinomistas, que não se importam com a Palavra do Senhor, que não dão valor ao Padrão. Por outro lado, não podemos em hipótese alguma ser retos aos nossos próprios olhos; precisamos diariamente olhar para nós mesmos e dizer que somos miseráveis pecadores e que nada merecemos do Senhor.

Não há a menor condição de nos achegarmos ao Pai pelos nossos méritos pessoais. Nossas boas obras são sujas de pecado, porque somos pecadores. Quando chegamos ao trono, fazemos isso por meio do Cordeiro que se deu em sacrifício. Assim sendo, não há espaço para legalismo, para arrogância...
Cheguemo-nos humildes ao trono da graça, como filhos que têm um Pai!
Que o Pai nos amolde ao caráter dEle!


Um abraço afetuoso,


Pr. Caco

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